SOUSA E MELLO, Gaspar Xavier da Cunha Lima de
Foi Barão e Conde do Vale da Rica. Foi também Visconde, Conde e Marquês de Vale Flor. O primeiro titular chamava-se Gaspar Xavier da Cunha Lima de Sousa e Mello e era proprietário em Alpendurada (Marco de Canaveses). O título de Barão foi-lhe concedido por decreto de 24 de setembro de 1892 e foi elevado à Grandeza, como Conde, por decreto de 14 de junho de 1897, ambas as benesses concedidas pelo Rei D. Carlos I. E nada mais posso acrescentar, deixando aqui o repto a quem mais souber.
Dos Vale Flor, nasceu o primeiro em Murça, a 19 de março de 1855, e chamava-se José Constantino Dias. Iniciou a sua carreira colonial em 1871, na ilha de São Tomé, onde se empregou numa casa comercial. Em 1874 teve a oportunidade de se ocupar da agricultura, objetivo que o tinha levado tão longe da sua pátria, e três anos depois iniciou uma exploração agrícola por sua conta. Em 1882 comprou a roça de Bela Vista, adquirindo gradualmente os fundamentos de uma das maiores fortunas de Portugal.
Foi fidalgo cavaleiro da Casa Real, comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, presidente da Câmara Municipal da Ilha de São Tomé, onde era grande proprietário. O título de Visconde foi concedido por decreto de 3 de maio de 1890. Mais tarde, o Rei D. Carlos decide elevá-lo à Grandeza de Conde e, por decreto de 7 de novembro de 1907, concede-lhe o título de Marquês de Vale Flor. Casou sem títulos com D. Maria do Carmo Dias Constantino Ferreira Pinto, que nasceu em 1872 e morreu em Lisboa, a 12 de fevereiro de 1952, filha de Elias do Carmo Constantino Ferreira Pinto e de sua mulher, D. Jenny Dias Constantino.
A Marquesa de Vale Flor, que residia habitualmente em Paris, foi amiga íntima e devotada à Rainha D. Amélia, a quem acompanhou no exílio, em França. Ainda em vida, criou a Fundação Vale Flor, em memória de seus filhos falecidos (José Luís, sucessor no título de Marquês, e sua filha Jenny, que morreu em 1912), que estabelece prémios a rapazes e raparigas pobres que se distinguiam pelos seus dotes de caráter e bondade. A Fundação é administrada pelo Montepio Geral e atribui prémios pecuniários, pelo Natal, sendo uma cerimónia tão famosa que, durante o Estado Novo, era habitual que o presidente da República os entregasse.
A Marquesa fundou também o “Instituto Marquês de Vale Flor”, destinado a estudos e trabalhos científicos sobre as antigas possessões ultramarinas de Portugal, tendo em vista a melhoria das condições de vida locais, especialmente da ilha de São Tomé. A iniciativa foi dotada com dez mil contos e cedência do palacete dos Marqueses na rua Jau, em Lisboa.
Foi 2º Marquês de Vale Flor José Luís de Vale Flor, que morreu solteiro e sem geração em 1942, ainda em vida de sua mãe. Usou o título com autorização do Rei D. Manuel II, no exílio. Não tendo esta Família qualquer brasão de armas, foi também D. Carlos I, por alvará de 18 de outubro de 1892 e Carta de 3 de novembro de 1893, que lhe concedeu armas. O brasão é um escudo partido, tendo na primeira parte, de ouro, uma cornucópia azul carregando rosas e, na segunda, de vermelho, entre dois castelos de ouro, uma banda do mesmo metal com a divisa Honor et labor.
Eis as notas que posso fornecer sobre mais estes dois titulares transmontanos.
Eduardo Proença Mamede