De Nuremberga às Presidenciais

Convido-vos a irem ver o filme sobre o julgamento de Nuremberga. É claro que vale a pena vê-lo, porque se trata do tribunal mais importante da história, no qual o nazismo sucumbiu e os cabecilhas ainda vivos tiveram de se confrontar com as montanhas de corpos cadavéricos encontrados nos campos de concentração. Não tinha havido tempo para os transformar em pó nas fornalhas. As formidáveis atuações das personagens, dão ainda mais valor àquele momento único de confronto entre homens muito inteligentes, em que os réus eram a personificação de toda a maldade que um grupo alucinado pode fazer. Bastava que acreditarem num redentor e em desígnios comuns, que os unissem a todos como povo escolhido, como seriam a pureza da raça ou o extermínio dos Judeus.
Tenho um arrepio quando a história me recorda que o nazismo subiu ao poder com uma larga maioria obtida nas eleições. Goring terá ouvido um dos primeiros discursos de Hitler, com cerca de 30 circunstantes, e ficou nacional socialista. Aquele homem de tão fraca figura, disse as palavras certas para os Alemães se levantarem do chão, em que tinham ficado depois da 1ª Guerra Mundial. Penteou-lhes o orgulho perdido e garantiu que o destino da Alemanha era grandioso. Acabaria como um grande império, subjugando muitas nações, vergadas ao seu esplendor económico, à sua extraordinária máquina de guerra.
É um erro pensar que as coisas horrendas feitas pelos homens não possam ser repetidas. De facto, só é possível adivinhar o mal que é possível fazer, com o conhecimento do que já aconteceu. Por isso, é que é tão importante estudar a história, para não cairmos em caminhos esconsos.
Vivemos um tempo sem princípios ou valores. Com ou sem culpa deles, os Partidos caíram em descrédito. Sem eles, não há Democracia. Emergem políticos de discurso fácil, a darem as falsas notícias, que a estratégia algorítmica recomenda. Interessa o dinheiro, e a cultura é um handicap. Fala-se em imigrantes como doença a erradicar e numa raça branca superior.
No cinema, senti-me gelado ao reconhecer neste discurso de hoje, aquilo que alimentou o regime nazi. Há semelhanças no discurso, e os novos protagonistas copiaram os métodos. Assistimos à subida do CHEGA e à entronização de André Ventura, como uma onda que não é possível parar. Contrariar essa onda ganhadora do CHEGA, deve ser hoje o objetivo de qualquer democrata. A começar nas Presidenciais.
André Ventura não desarma e aparece a toda a hora a dizer o que as pessoas querem ouvir. Mesmo aquilo que reprimem por vergonha. É um homem muito inteligente e um grande comunicador, sem quaisquer escrúpulos.
Os Partidos apostaram em figuras de segunda linha, antigos líderes bafientos, que fazem um número de contorcionismo impossível, para se dizerem independentes. Sem opinião própria, não têm votantes convictos, que afirmem aos quatro ventos as qualidades dos seus candidatos. Vão de arrasto, á falta de melhor, para não virem a ser apontados como responsáveis da derrota.
Na minha opinião, votar no Almirante Gouveia e Melo, é a forma que temos de retirar a André Ventura os argumentos que utiliza sem piedade para torpedear os adversários.
Ele, é um bom exemplo a seguir. Não tem nódoas a serem apontadas. Não tem amigos duvidosos, nem favores a serem pagos. Voltou de Moçambique, e sabe o que custa começar de novo. Imaginamos-lhe os feitos temerários vividos com os seus homens nas profundezas do mar, e sabemos que aconteceram. Vimos como vacinou Portugal em tempo recorde. Assistimos e aplaudimos. Tanta eficiência, sem um único caso de alguém ter passado à frente! Já deixou bem clara a sua simpatia política pela Social Democracia “antiga”, porque não descarta o Estado Social na economia do mercado livre. Não teve peias a dizer o que fará na Saúde, quando chegar à Presidência.
Espero que o Almirante dê uma abada ao Ventura. A Direita ignorante, xenófoba, falsa e sem valores, teria um sério revés. Quem vir o “Nuremberga” vai perceber porque é que é importante. O meu receio, é que a sina da minha mulher se cumpra, segunda a qual agora ninguém lê livros ou vê filmes!



