
Um amigo do peito, companheiro de tantas cavalgadas, algumas do tempo da política pura e sem preconceitos da juventude esfusiante, veio-me com esta pergunta.
Um amigo do peito, companheiro de tantas cavalgadas, algumas do tempo da política pura e sem preconceitos da juventude esfusiante, veio-me com esta pergunta. Tinha -lhe dito e estava incrédulo, sabendo-me laranjinha desde os 15 anos! Pergunto-me o porquê desta estranheza. Gouveia e Melo não está nas “boas graças” dos jornalistas. Desde que assumiu a sua candidatura á Presidência da República, com total independência dos Partidos, grupos de influência ou ceitas mais ou menos secretas, foi olhado com desconfiança. Neste País, é estranho entrar numa corrida destas sem um empurrãozinho de amigos credenciados a quem se paga mas tarde. Ainda por cima, é precisa uma grande desfaçatez ao aparecer como ganhador logo á partida! Só lhe faltava mesmo ser militar, com uma carreira brilhante, recheada de atos de coragem que impôs a si mesmo para se afirmar como líder através do exemplo.

Insuportável! Durante vários meses, pareceu óbvia a existência de uma esmagadora maioria de Portugueses que não ligava á “má imprensa” do Almirante e lhe davam nas sondagens a vitória á primeira volta. Não se tinham esquecido do êxito notável da sua missão na vacinação contra a Covid-19, em que pôs cobro á confusão e aos compadrios, salvando muitas pessoas! Por outro lado, o Povo Português quase sempre votou numa lógica de equilíbrio entre a Presidência da República e o Governo, e talvez vissem em Gouveia e Melo o líder humano e confiável, colocado no centro democrático, com a farda impa das tropelias partidárias de todos os quadrantes.
Só em meados de Maio é que os outros candidatos á Presidência da República se foram perfilando com intenções de voto menos risíveis. Parecia que as pessoas tinham soçobrado perante o contínuo chorrilho de argumentos perpetrados contra o “perigo” de Gouveia e Melo como Presidente da República. Voltar a ter um militar no cargo, era um retrocesso para a Democracia! Comparando com os antecessores, como ficaria a representação de Portugal com um Presidente sem experiência política? Havia até quem, sem qualquer rebuço, afirmasse que por baixo da farda imaculada não germinava uma única ideia de jeito!
Á força de quilómetros de opiniões de doutos comentadores de vários quadrantes, começou a não parecer bem ser pelo Almirante. Não era cool e cheirava a retrógrado. Mesmo quando se libertou do silêncio da condição militar e se declarou identificado com o centro político, representado pelo PSD e pelo PS moderado. Não tomaram nota da forma como rechaçou o Chega, preferindo sublinhar o pecado do almoço entre Gouveia e Melo e André Ventura. Não enalteceram a forma como demonstrou dominar as complicadíssimas relações internacionais da atualidade, a nível militar e diplomático, num programa da CNN. Não se importaram quando sublinhou a necessidade urgente de acudir ao SNS. Banalizaram o seu foco na promoção duma economia diferente, que não dependa dos baixos salários. Não quiseram ouvir o que disse sobre a imigração que mais nos interessa, que é a originária dos Países lusófonos, não esquecendo a sua origem moçambicana.

A subida vertiginosa do Chega, é um aviso sério aos Partidos de que têm de ser diferentes.
Foi um erro crasso, que cada Partido tivesse avançado com o seu candidato, sem entusiasmo nem emoção, apenas porque estavam atados a coisas do passado.
Acredito que Gouveia e Melo vai ganhar com todo o mérito, á primeira ou á segunda volta. Mas, se André Ventura ficar em segundo, o PSD e o PS só se podem queixar de si próprios, por terem feito o jogo do Chega.
Ficar á frente dos candidatos de todos os Partidos, é uma enorme embaçadela e um péssimo prenúncio!
João Araújo Correia
Professor Associado Convidado do Mestrado Integrado em Medicina do ICBAS/CHUdSA
Assistente Graduado Sénior de Medicina Interna
Coordenador do Coorte da doença de Behçet da UIC
Diretor da Clínica de Medicina
Ex Presidente do Colégio de Especialidade MI, Ex Presidente da SPMI
Ex Diretor do Serviço de MI, Ex Diretor Pedagógico e Científico



