FARIA, José Lopes Leite de
Nasceu em Tagilde, freguesia de S. Salvador, concelho de Guimarães, em 12.5.1874. Estudou em Vizela, Guimarães e Braga. Aqui fez o curso Teológico que concluiu em 4.6.1894. Ingressou, depois, no Colégio de S. Dâmaso, em Guimarães, como professor, durante 5 anos. Em 1900 passou a leccionar Latinidade e Ciências Naturais no seminário liceu de Guimarães, FARIA.
Vindo a ensinar também Literatura Portuguesa e Filosofia Escolástica. Simultaneamente dedicou se à imprensa. Fundou o semanário Jornal de Guimarães, cujo 1.° número apareceu em 2.5.1902, terminando em 1.8.1903. Fundou a seguira Restauração, que se manteve entre 1.12.1903 até 9.3.1911. Os seus dotes jornalísticos mereceram lhe elogios e até uma carta autógrafa e uma medalha do Santo Padre Pio X. Como entretanto ocorreu a implantação da República (1910), refugiou se no estrangeiro (14 de Março) e aproveitou para visitar vários países. Fixou residência em Londres, onde esteve 3 anos. Aí assistiu, em 1911, ao congresso eucarístico, apresentando uma comunicação intitulada: A Realeza Social de Jesus Cristo na Eucaristia.
Essa comunicação grangeou lhe grande notoriedade, nomeadamente, por parte de bispos brasileiros presentes que logo o convidaram para professor. Também Bispos franceses o convidaram. Sucedeu que o convite que aceitou lhe foi dirigido por Bula do Papa Bento XV, em 5.10.1915 mas desta vez para Bispo de Bragança. Foi sagrado na Igreja de S. Francisco, em Guimarães, a 30 de Janeiro de 1916. Tomou posse, por procuração, em 23 de Fevereiro e entrou solenemente em Bragança, em 14 de Março. Aí encontrou uma Diocese em completo abandono.
Com as estruturas abaladas pelas sucessivas crises por que passara, motivadas pela política que sempre deixa marcas no aspecto moral. D. José Leite de Faria abraçou a função com toda a sua garra, pregou, de freguesia em freguesia, renovou métodos, fertilizou as sensibilidades e para dar voz a todo esse trabalho, fundou o Semiador, revista que passou a ser o boletim oficial da diocese.
Publicava se mensalmente com cerca de 50 páginas. Iniciou a saída em Janeiro de 1917. Em Janeiro de 1918 quando já se encontrava a edição desse mês na Tipografia em Guimarães, os acontecimentos políticos complicaram tudo, pelo que se suspendeu a saída. Os números que se editaram do Semiador foram depois reunidos em dois volumes.
O mais grave problema com que se debateu foi a falta de clero, pois em 1919 havia na diocese de Bragança 220 freguesias anexadas por extinção e mais 131 desprovidas de pároco. D. José Leite de Faria faleceu em Vinhais, em 23 de Agosto de 1924.