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LEONOR TELES (1350-1386)

Rainha de Portugal; natural da província de Trás-os-Montes de seu nome Leonor Teles de Meneses; filha de Martim Afonso Telo de Meneses e de sua mulher Aldonça de Vasconcelos; irmã de Maria Teles.
Era astuciosa, bonita de génio turbulento. Servia-se, para as suas intrigas, do conde de Andeiro, que, por sua influência, recebeu o título de conde de Ourém. Casou-se, primeiramente, com João Lourenço da Cunha, fidalgo provinciano, com o qual vivia tranquilamente e de quem teve um filho: Álvaro. Maria Teles sua irmã, casada com Lopo Dias de Sousa. dama da corte da infanta D.Beatriz (irmã de D. Fernando), vivia em Lisboa.
Leonor Teles acompanhada do marido, visitou aquela sua irmã. Foi nesta altura que o rei D. Fernando conheceu Leonor. Ferrão Lopes escreveu a este respeito: “El rei D. Fernando. como era muito costumado de ir ver amiúde a infanta sua irmã, quando viu D. Leonor em sua casa louçã e aposta e de bom corpo, pero que a de antes houvesse bem conhecida, por então mui afincadamente esguardou suas fermosas feições e graça: entanto que deixada toda benquerença e contentamento que de outra mulher poderia haver, desta-se começou a namorar maravilhosamente: e, ferido assim do amor dela, em que seu coração de todo era posto, de dia se acrescentava mais sua chaga, não descobrindo porém a nenhuma pessoa esta benquerença tão grande que em seu coração novamente morava. “Leonor, apercebendo se desta súbita paixão do soberano aproveitou a situação, excitando-o e pôs-lhe o dilema: “Amante, não; ou rainha ou nada”. João Lourenço, compreendendo a delicada situação em que se encontrava, e sentindo que não podia lutar com o seu rei, resolveu sair imediatamente de Portugal.
Uma vez em Castela, pediu para Roma, a anulação do casamento com Leonor. Entretanto, D. Fernando casou-se, secretamente, com esta (1372). Embora fosse nobre, ela não tinha categoria para desposar o monarca. O povo recebeu mal grado a notícia, e amotinou-se. O soberano prometeu comparecer junto da Igreja de S. Domingos, para explicar a sua situação, mas abandonou Lisboa.
Dirigiu-se, então, para Leça (Porto), onde apresentou Leonor, como sua mulher, aos fidalgos e grandes do Reino. Todos se curvaram e beijaram a mão à nova rainha, com excepção de D. Dinis, filho de Inês de Castro, que se recusou a fazê-lo, e imediatamente fugiu para Castela, receoso da vingança da nova rainha. Leonor, logo que se viu rainha, começou a malquistar D. Fernando com os mais ilustres tidalaos do Reino e a perseguir o povo, que se havia oposto a este enlace. Por outro lado. conseguiu que o rei honrasse com títulos os seus parentes, irmãos, sobrinhos, etc.
Deste casamento nasceram os filhos: Afonso. Pedro e Beatriz (depois rainha de Castela). Henrique II, de Castela, invadiu, entretanto. Portugal (1373), por D. Fernando ter faltado ao compromisso de honra, de casar com Leonor de Aragão. D. Fernando assinou. então uma paz desfavorável.
Surgiu entretanto na Corte. ao serviço de D. Fernando o fidalgoconde Fernandes Andeiro, homem insinuante simpático, de palavras agradáveis. Leonor Teles deixou-se, logo, enlear pelas maneiras cativantes e amoráveis de Andeiro, tornando se sua amante, o que deu origem a o monarca enfermar. Quando D. Fernando morreu (1383), com 36 anos de idade, D. Leonor mandou aclamar sua filha, D. Beatriz, como rainha de Portugal. Porém, visto ela estar casada com D. João 1, de Castela, o povo de Lisboa protestou ruidosamente. O mestre de Avis, D. João, e D. Nuno Álvares Pereira tornaram se os chefes visíveis da burguesia, e D. Leonor tentou fazê-los afastar.
Porém, o mestre de Avis foi ao Paço Real e matou, quase à vista da rainha, o conde de Andeiro. D. Leonor, sentindo que a situação, em Lisboa, não lhe era favorável, abandonou a capital, fugindo para Alenquer e depois para Santarém, pedindo auxilio a seu genro, o qual entrou em Portugal com um poderoso exército, que foi totalmente desbaratado na batalha de Aljubarrota (14 VIII 1385).
D. Leonor entrou, imediatamente, em conflito com o genro, e foi encerrada, por isso, no Convento de Tordesilhas, onde morreu. Está sepultada no Convento de Nossa das Mercês, em Valhadolid. Leonor levou D. Fernando a declarar, por duas vezes, guerra a Castela, e induziu o infante D. João a assassinar, em Coimbra, Maria Teles, sua irmã. Não contente com isto, pretendeu fazer suprimir o próprio D. João, mestre de Avis, que chegou a estar preso. A vida de D. Leonor Teles tem inspirado diversos escritores: Fernão Lopes, Crónica de D. Fernando e Crónica de D. João I; Alexandre Herculano, em Lendas e narrativas, tomo I; António Sérgio, Ensaios, tomo VI; Marcelino Mesquita, D. Leonor Teles, drama, em verso, em 5 actos; Leonor Teles, por Maurícia de Figueiredo (1914); Leonor Teles Flor de Altura, por Antero de Figueiredo (1916); Dois Caluniados (D. Fernando I e D. Leonor Teles), por Horácio Ferreira Alves (1972); Rainha D. Leonor, Figura Enigmática de Mulher (Sep. da rev. Ocidente, Lisboa, 1965) de Joaquim de Oliveira; Leonor, Rainha maravilhosamente, peça escrita por Alice Sampaio, representada no Teatro de São Luís, em Lisboa, a partir de 16 1I 1979, etc. Os historiadores divergem muito, quanto à data da morte de Leonor Teles. Porém, D. José Maria de Almeida e Araújo Correia de Lacerda, no seu Dicionário Enciclopédico (3a de., 1868), indica a data exacta de 27 IV 1386.

A. Lopes de Oliveira

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