MANSO, D. Manuel Martins
Bispo do Funchal e da Guarda (Bemposta, Mogadouro, 21.11.1793 Guarda, Casa Manuelina na Rua Direita, 1.12.1878). Concluiu Teologia no Seminário de Bragança, recebendo as ordens de presbítero após ter obtido o bacharelato em Direito Canónico na Universidade de Coimbra (1822). Nomeado Cónego da Sé de Bragança, foi examinador sinodal e vigário capitular desta diocese. No ciclo da guerra civil de 1834 declinou a responsabilidade noutro sacerdote eleito pelo Cabido, sabendo se hoje que o facto constituiu uma dissimulação perante os liberais, sendo D. Manuel o vigário de facto e, por isso, como se dizia, o “vigário oculto”. Nesta época teve de resolver muitos dos graves problemas políticos e canónicos em que o Cabido bragançano se envolveu.
O seu último acto em Bragança foi a carta ao Papa Pio IX (26.10.1849) apoiando a proclamação do dogma da Imaculada Conceição de Maria. Nomeado Bispo do Funchal (1849), governou este bispado até 1858, no meio de graves convulsões clericais e sociais. Procurou manter a disciplina capitular, visitou a diocese e protegeu os pobres e as instituições de caridade social, do mesmo passo que combateu doutrinalmente a implantação do protestantismo na Ilha da Madeira.
Por motivos de saúde, resignou deste bispado, sendo colocado na diocese da Guarda (18.3.1858), que governou até à morte, contando com o apoio do sobrinho Francisco Manuel Martins Manso. Na Guarda, renovou o Seminário, evangelizou a diocese mediante o trabalho apostólico de missionários contratados, lutou contra o protestantismo que na época se implantava na diocese, condenou as chamadas “bíblias falsas” (protestantes).
Participou na criação do Asilo da Infância Desvalida e restaurou parte da Sé Catedral. A sua maior obra foi, porém, a conservação da diocese. Desde meados do século XIX que se pensava extinguir a diocese da Guarda. Manso dirigiu um amplo movimento de forças vivas contestando a decisão. Morreu, sem que oficialmente nada tivesse sido decidido, embora se diga que, ao morrer, já sabia que a extinção estava posta de parte. E, com efeito, a reforma da diocese (1881) manteve a da Guarda, aliás ampliada com a de Pinhel, que, esta, foi extinta. Quase toda a sua família transitou para a Guarda, onde ainda se mantém a família Manso. Jaz no cemitério da Guarda.
OBRAS E BIBL.: Pinharanda Gomes, Dom Manuel Martins Manso, Bispo do Funchal e da Guarda. Lx.a, 1996 (Escritos pastorais do bispo, pp. 115 190); Fortunato de Almeida, História da Igreja em Portugal, Vol. III, Porto, 1970; Abade de Baçal, Memórias (…) Bragança, Vols. 11, IV VI e VII.
J. Pinharanda Gomes