MONIZ, José Maria da Fonseca
Nasceu em Moncorvo, em 20.12.1794. Foi o 1º Barão nascido em Moncorvo. Assentou praça como voluntário no Batalhão de Caçadores 10, em 6 de Outubro de 1811, e entrou logo nas campanhas da Guerra Peninsular, saindo gravemente ferido na batalha de Pamplona. Promovido a alferes ainda durante a campanha, a 13 de Dezembro de 1813, passou a tenente para o regimento de Caçadores 9, em 20 de Março de 1820. Estava destacado em Lamego quando, a 5 de Dezembro de 1826, rebentou ali uma rebelião contra a Carta Constitucional e de apoio ao absolutista Marquês de Chaves. Foi coagido a acompanhar os demais soldados até à fronteira espanhola, mas conseguiu evadir-se e foi apresentar-se ao governador de Armas da Beira, em Almeida. Submetido a um conselho de averiguações, foi completamente ilibado de qualquer crime de rebelião contra a liberdade. Tomando parte do grupo de militares que se quis opor à coroação de D. Miguel I, em 1828, acompanhou os destroços do corpo expedicionário até à Galiza e daí teve que emigrar para Inglaterra, à semelhança de quase todos os outros.
Organizada a expedição que conquistaria a Ilha Terceira, José da Fonseca Moniz não só tomou parte, como se evidenciou em actos de bravura na batalha da Vila da Praia e na conquista da Ilha de S. Miguel. Promovido a capitão a 18 de Outubro de 1831, foi como membro do regimento de Infantaria 9 que desembarcou no Mindelo, distinguindo-se no cerco do Porto e ficando gravemente ferido na acção de Ponte Ferreira. Tomando parte na expedição ao Algarve, esteve no combate de Cacilhas, onde os soldados de Telles Jordão foram definitivamente derrotados, tornando a sair gravemente ferido durante o ataque a Lisboa. Em 1835 fez parte da chamada Divisão Auxiliar, regressando a Portugal em 1837 e sendo promovido a major em 5 de Setembro desse ano. Sucessivamente, passou a tenente coronel (20 de Dezembro de 1842) e a coronel (19 de Abril de 1847), e assumiu o comando de Infantaria 6.
Tomou parte activa nas chamadas “Guerras da Maria da Fonte” e foi deputado em 1846 e novamente em 1851-1852. Dedicadíssimo ao Marechal Saldanha, acompanhou-o desde o primeiro momento no movimento da Regeneração, sendo promovido a brigadeiro em 1 de Maio de 1851. Por Decreto assinado a 2 de Junho de 1851, D. Maria II fez-o 1º Barão de Palme. Era do Conselho de Sua Majestade fidelíssima, comendador das Ordens da Torre e Espada, de Aviz e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, bem como foi condecorado com a medalha nº 2 da Guerra Peninsular. No resto de sua vida comandou ainda a 4ª Divisão Militar e, em 1861, era governador da praça de Valença, como general de divisão.
Casou, a 29 de Novembro de 1816, com D. Maria Clementina Leite de Oliveira Pinto (1790-1848), segunda filha de José António de Oliveira Pinto e de sua mulher, D. Ana Bernardina Leite de Oliveira. Foi a Baronesa de Palme a filha única do 1º Barão, D. Gertrudes Ermelinda Moniz, que nasceu a 22 de Setembro de 1817. Esta Senhora casou, a 14 de Setembro de 1850, com José Cardoso Coelho de Moraes Pessoa, que nasceu em 12 de Setembro de 1807 e morreu em 5 de Maio de 1857, filho de João Cardoso de Moraes, capitão-mor de Lafões, e de sua mulher, D. Ana Joaquina da Fonseca. O título foi renovado no 2º Barão por concessão de D. Maria II de 18 de Fevereiro de 1852.
Deste casamento houve um filho, António Cardoso Moniz (1852-1932), que nunca se encartou do título, e casou com D. Maria da Glória da Cunha Pignatelli de Mello, filha dos Viscondes de S. Pedro do Sul. Foi 3º Barão de Palme José Cardoso Moniz, que nasceu em S. Pedro do Sul, a 23 de Fevereiro de 1896, filho dos anteriores. Licenciado em Ciências Naturais pela Universidade de Coimbra, nesta cidade foi professor liceal. Casou com D. Maria Frederica Cardoso Ressano Garcia, em Lisboa, a 26 de Março de 1938, filha de Raul Cardoso Ressano Garcia, oficial da Armada, e de sua mulher D. Joana da Silva Barreiros Cardoso.
Assinatura
Eduardo Proença Marnede In Mensageiro de Bragança 19/10/01