MORAIS, António Trigo de
Nasceu em Samões, concelho de Vila Flor, em 3.2.1895. Faleceu em Lisboa, em 15.2.1966.
Concluiu em 1918 o curso de Eng. Civil, no Inst. Sup. Técnico, do qual veio a ser assistente. Foi também assistente das cadeiras de Topografia e Construções Rurais no Instituto Superior de Agron. Poucos anos se dedicou ao ensino, entregando se por completo, após curta passagem pelos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste, às realizações de fomento hidroagrícola. Desde a sua criação, em 1934, foi Presidente da Junta Autónoma das Obras de Hidráulica Agrícola. Depois da fusão deste organismo com a Direcção Geral dos Serviços Hidráulicos, foi nomeado director geral destes Serviços. Desde cedo dedicou também a sua atenção aos problemas de povoamento e fomento das prov. Ultramarinas de Angola e Moçam¬bique. Chefiou a missão ao Sul de Angola que estudou o vale do Cunene; dirigiu em Moçambique os estudos e projectos do Aproveitamento do Vale do Limpopo.
Foi vogal dos Conselhos Técnico de Fomento Ultramarino e Superior de Obras Públicas e procurador à Câmara Corporativa (Secção do Ultramar). Em 1951 foi nomeado sub secretário de Est. do Ultramar, preparando o 1 ° Plano de Fomento para o Ultramar.
Em 1953, a seu pedido, abandonou este cargo para ter possibilidades de orientar de mais perto as grandes obras de fomento hidroagrícola, em especial as do Cunene e do Limpopo. A este trabalho dedicou os últimos anos da sua vida, como inspector geral e depois como Presidente do Conselho Superior de Fomento Ultramarino. A uma profunda dedicação ao trabalho, espírito de iniciativa e de comando e competência profissional aliava um raro aprumo moral e uma formação profundamente católica.
Nos vários colonatos que instalou nos aproveitamentos hidroagrícolas do Ultramar teve a preocupação constante de assegurar a assistência espiritual. Publicou monografias e trabalhos sobre a sua especialidade. Foi sepultado, por sua expressa vontade, em St.’ António da Barragem, no Aproveitamento do Limpopo.
LIVROS: Trabalhos, 1926; A Hidrólica Agrícola, 1941; Água na Valorização do Ultramar, 1951; 1 Congresso da Agricultura Colonial, 1935; Barragem Marechal Carmona. 1948; Barragem Salazar, 1949; A Igreja Sustenta as Exigências da Justiça Social, 1949; Irrigação do Vale do Limpopo, 1956; Barragem Presidente Craveiro Lopes, 1956.