Opinião🖋️ Engº Francisco Gouveia

O ESTADO DO PAÍS?

ESTÁ COMO HÁ-DE IR!

(Perguntaram um dia a um grande empresário, que já cá não anda, o que era uma boa Economia num país. E ele respondeu: boa Economia é dinheiro no bolso das pessoas).

Recentemente, quando se discutiu na Assembleia da República o Estado do País, por acaso nenhum dos deputados se lembrou de levantar esta questão simples: afinal, o que fazem ali? Estarão, de facto, a zelar pela vida dos cidadãos? Estarão responsavelmente a discutir as políticas que efectivamente interessam ao país? Ou estarão simplesmente a deleitar-se com jogos florais, com conversas de jantares, a léguas do povo que, dizem eles, os elegeu?
Pois já que não discutiram o que é a Economia e o estado em se encontra a nossa vida colectiva, nem sobre o desastre que se abate sobre as instituições, ou o tsunami dos serviços públicos, mais o caudaloso rio da corrupção que sufoca, cá vou eu tratar do assunto, e fazer alguns alertas.
Como escrevi atrás, os portugueses ganham mal, ao ponto de a classe média praticamente já não existir.
E ganham mal, porquê?
Porque os políticos não apresentam soluções para que o país crie riqueza. Porque a riqueza não se cria com ideologias, cria-se com actos, com programas, com objectivos.
Vejam como estão e porque estão tão baixos os salários dos portugueses.
Logo à partida é bom lembrar que nos últimos 15 anos, cerca de 1,5 milhões de jovens portugueses (a esmagadora maioria com habilitações académicas excelentes) emigraram e foram procurar noutros países o justo rendimento para as suas profissões. Países esses com muita sorte, porque nada gastaram na formação deles e agora usufruem de mão obra qualificada e super qualificada.
Entretanto, uma agenda bem organizada e com centro no poder “geringonçado” de um tal Costa e Cª Ldª, resolveu substituir esses jovens qualificados por estrangeiros que, na sua maioria, sabem mexer em telemóveis e pouco mais. Resultado, os salários que já eram baixos, baixaram ainda mais, porque essa multidão recém-chegada porque nem os trincos da porta estavam fechados, trabalhava por dez reis de mel coado. Um triste nivelamento salarial por baixo. O pior que pode acontecer a uma Economia.
Mas não foi só isso que empederniu os salários. Os próprios Governos ainda não entenderam que, nas actuais condições, nunca se pagará um salário decente a quem trabalha.
Senão, vejam.
A carga fiscal que cai sobe as empresas e o cidadão é de tal ordem pesada que não é possível melhorar a situação.
Aqui vai um exemplo.
Se uma empresa quiser contratar alguém e pagar-lhe 2.000 € brutos por mês, o que lhe acontece: tem de pagar ao Estado 475 € de TSU, cerca de 20 € de seguros, mais 211 € de subsídio de alimentação, ou seja, e considerando o ano com 14 meses, serão 823 € por mês.
Mas o trabalhador com um salário do montante bruto referido, depois dos descontos para SS e incidência no IRS, receberá líquido 1.350€.
Resumindo: de um salário bruto de 2.000 € por mês, só o Estado arrecada 1.473 €. O Estado ganha mais do que o trabalhador.
Neste contexto, é impossível subir salários.
Termino com esta pequena história: perguntaram um dia a um grande empresário, que já cá não anda, o que era uma boa Economia num país. E ele respondeu: boa Economia é dinheiro no bolso das pessoas.
Um país de rastos, sem evolução económica, a viver de pseudo estatísticas manipuladas, onde nada funciona, onde a segurança se esvai dia após dia, onde a sobrevivência já é um modo de vida, a gastar desalmadamente para sustentar uma faraónica classe de políticos inúteis que enxameiam os infinitos cargos no Estado enquanto não tem formas de captar os jovens portugueses que de cá saíram, enfim, um país onde a Economia está gerida de forma tão abjecta, que não permite que o cidadão tenha dinheiro nos bolsos.

Conclusão: este país está como há-de ir.

E eu também me vou, gozando umas férias na terrinha, porque a idade já mas pede.
A todos os meus leitores, o meu muito obrigado por me lerem, e que tenham as férias possíveis. Pelo menos, com saúde, que o resto resolve-se.

Engº Francisco Gouveia

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