Opinião🖋️ Prof. Paulo Freitas do Amaral

Os Novos Donos Disto Tudo

Já todos ouvimos dizer que vivemos uma época complicada. Discordo completamente dessa afirmação. Vivemos uma época extraordinária, de progressos inimagináveis há uns anos atrás.
Falamos de progressos que abrangem todas as áreas, que vão desde a saúde, passando pelos bens de consumo à Inteligência artificial, etc.
O problema é que estes avanços tecnológicos não encontraram correspondência em todos os seres humanos e temos, hoje, uma quantidade de pessoas que existe, respira, mas não vive. Aquilo a que chamo os Novos Donos Disto Tudo.
Ora, os Novos Donos Disto Tudo, são detentores de um vasto conjunto de qualidades: nunca foram nada – e dificilmente serão coisa alguma. Uns não quiseram, outros não estavam disponíveis, sendo, muitas vezes, a única alternativa possível. E depois há aqueles que ocupam determinado cargo sem fazer a mínima ideia do que isso significa. Estão. Não são, nem nunca serão. Porque uma coisa é estar, outra, bem diferente, é SER.
Mas mal aterram a nave no novo lugar onde estão, na boa tradição, ficam logo super inteligentes, “sabem” tudo, falam de tudo, tornam-se detentores de uma verdade absoluta, consideram-se o centro do mundo.
Tornam-se imediatamente, Pessoas Altamente Sensíveis. Tudo o que alguém possa dizer, escrever, e que elas não gostem, entendem logo como uma crítica pessoal, mesmo que isso não tenha nada a ver com eles. Ora isto acontece porque estes seres possuem outras características, como serem intelectualmente desnutridos, eticamente e juridicamente esclerosados, sofrerem de profunda senilidade no que ao bom senso diz respeito, e serem profundamente obedientes aos seus amos.
Muitas vezes não fazem a mínima ideia do que falam, não conseguem perceber o que leem. Papagueiam o que vão ouvindo aqui e ali, o que os amos, lhes sussurram ao ouvido, e respondem, com aquela profundidade metafísica, que só elas possuem “sempre se fez assim”, mesmo que sempre se tenha feito mal.
Na maior parte das vezes, descola-se-lhes a retina do cérebro e não conseguem ver além do seu inexistente pensamento.
Falam alto, porque pensam que assim têm razão.
Denunciam os amigos a troco de um prato de lentilhas. Revelam conversas privadas, mensagens privadas, apenas e só para ficarem bem perante os amos. Obedecem cegamente a tudo o que os amos lhes pedem.
E não percebem que os amos desprezam secretamente essas atitudes, porque conseguem ver nas costas dos outros as suas próprias costas.
O WhatsApp é o centro nevrálgico da decisão. O tasco a sala de reunião.
Como bem dizia Hegel, tudo está em devir. A realidade é um processo dinâmico em transformação contínua, ou seja, um dia, isto muda, muitas vezes mais rápido do que o esperado. E depois… depois fica este belo passado como cartão de visita.
Deviam saber que “não há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão.”
Felizmente, haverá sempre quem, ao contrário dos Novos Donos Disto Tudo, VIVA.
Quem seja fiel aos princípios da época, que é uma época de liberdade, de progresso, de humanidade, que tenha, urticária aos totalitarismos, quem não tenha amos a quem obedecer.
Quem esteja sempre do lado das Liberdades. E nestas liberdades, a liberdade de expressão é um direito sagrado numa democracia. Em Portugal está bem plasmado na
Constituição da República Portuguesa (CRP), e só poderá sofrer as limitações decorrentes da lei, e não dos estados de alma dos Novos Donos Disto Tudo.
Sei que o texto legislativo é muito denso para tais mentes. Mas não desanimem, aproveitem e leiam a versão infantil da CRP “Zé Pedro descobre a Constituição da República Portuguesa”, edição Câmara Municipal de Montemor-o-Novo.
Eu continuarei a escrever o que eu bem entender. Se não gostar, tem bom remédio: não leia. A isso também se chama Liberdade!!!

Fernando Vaz das Neves

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