PINTADO, Valentim Xavier
Nasceu em 1925. Economista, professor universitário e político. Natural de Freixo de Espada à Cinta, é um dos mais conceituados economistas da sua geração. Licenciou-se em Finanças pelo Instituto de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa (1949) e doutorou-se em Economia pela Universidade de Edimburgo (1961). Iniciou a sua carreira docente como assistente de Finanças Públicas no ISCEF de 1951 a 1957. Foi docente num curso especial de Finanças Públicas organizado pela OCDE em colaboração com a Universidade de York, no verão de 1964. Professor de Finanças Públicas na Universidade Católica de 1972 a 1974, foi nomeado diretor da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais dessa Universidade em 1989, cargo que exerceu até setembro de 1994, altura em que foi nomeado vice-reitor da mesma Universidade.
Parte significativa da sua vida profissional foi exercida no estrangeiro, ao serviço de organizações internacionais. Foi o primeiro bolseiro (fellow) português da Comissão Económica para a Europa das Nações Unidas em 1957-1958, onde trabalhou sob a orientação do economista francês Prof. Edmond Malinvaud. Foi encarregado de um estudo especial sobre a economia portuguesa pelo secretariado da EFTA em 1961-1962, estudo que foi publicado por aquele secretariado sob o título Structure and Growth of the Portuguese Economy, obra que se tornou uma referência obrigatória e consolidou o seu prestígio como um dos mais destacados economistas portugueses do pós-guerra.
Exerceu as funções de consultor ad hoc da OCDE em 1964. Em 1975, ingressou novamente no secretariado da EFTA como Senior Assistant for Economic Affairs, sendo nomeado Special Adviser do Secretário-Geral daquela organização em setembro de 1983, cargo que exerceu até 1990. Em 1969, foi convidado por Marcelo Caetano para integrar a renovada equipa de secretários de Estado do Ministério da Economia. É assim que, com Rogério Martins, João Salgueiro e Vasco Leónidas, integra o chamado ‘grupo dos liberais’ durante a ‘primavera marcelista’. Tal como os seus colegas, deixou o governo na remodelação promovida pelo Presidente do Conselho em agosto de 1972.
Como Secretário de Estado do Comércio, foi representante de Portugal no Conselho Ministerial da EFTA, cuja presidência assumiu em 1970. Foi responsável pela segunda redução de direitos de importação no quadro da EFTA, pela redução significativa do número de produtos sujeitos à fixação administrativa de preços e pela eliminação faseada de preços especiais para a indústria portuguesa dos produtos importados do Ultramar. Particular atenção foi dada ao desenvolvimento das infraestruturas de comercialização, especialmente à ‘rede do frio’, que beneficiou de incentivos especiais do chamado Fundo de Abastecimento.
Foi membro fundador do CDS, de cuja comissão política fez parte até à sua saída do país para o Secretariado da EFTA, em Genebra, em junho de 1975. No setor privado, exerceu as funções de economista da Associação Comercial de Lisboa e da Delegação Portuguesa da Câmara de Comércio Internacional; mais tarde, foi diretor do Gabinete de Estudos e Relações Económicas Internacionais da Associação Industrial Portuguesa. Foi diretor do Gabinete de Estudos do Banco Português do Atlântico de 1964 a 1969 e administrador executivo do mesmo banco, responsável pelas relações externas, de setembro de 1972 até à nacionalização da banca em março de 1975.
Fez parte de várias comissões e grupos de estudos, nomeadamente da comissão executiva do Centro de Estudos do Departamento Central de Planeamento, do Conselho Superior para o Sistema Financeiro do Ministério das Finanças, da comissão consultiva do primeiro-ministro para a Integração Europeia, e é membro da comissão consultiva do Banco de Portugal. Além do mencionado estudo Structure and Growth of the Portuguese Economy e da dissertação de doutoramento, subordina¬da ao tema The Growth of the Public Sector with Economic Development, preparou um estudo sobre a classificação das despesas públicas para o Ministério das Finanças e publicou diversos estudos e artigos, entre os quais se contam:
– “The fiscal system and economic development”, in Public Finance as an Instrument for Economic Development, OCDE, Paris, 1965;
– Growing Interlinkages and Increasing Protectionism (com Jan Herin), EFTA Occasional Paper n.º 11, Genebra, março, 1985;
– Structural Problems and Current Developments in the Yugoslav Economy, EFTA Occasional Paper n.º 20, dezembro, 1987;
– Economic Aspects of the European Economic Space (em colaboração), EFTA Occasional Paper n.º 25, Genebra, novembro, 1988;
– “The Lack of Rationality in Developed Countries Agricultural Policies”, in Nova Economia em Portugal, Universidade Nova, 1989;
– “The Peripheral Countries and European Integration”, in Economia, Vol. XIV, n.º 3, outubro, 1990.
Tem colaborado em vários jornais e revistas com artigos de opinião e comentário económico, tendo dirigido a ‘página económica’ do Diário de Notícias no seu lançamento.
José Maria Brandão de Brito, In Dicionário de História do Estado Novo”