PIRES, Francisco Lucas
Nasceu em Coimbra, a 15 de setembro de 1944, mas esteve desde a meninice ligado à Torre Dona Chama (Mirandela), terra dos seus avós paternos, do pai, Juiz de Direito Videira Pires, e dos seus ilustres tios padres Jesuítas, Benjamim e Francisco Videira Pires. Os seus tios, homens de profunda cultura, destacaram-se tanto em Portugal quanto em Macau. Casou com Teresa Almeida Garrett (Professora na Universidade Católica e deputada do Parlamento Europeu), com quem teve quatro filhos: Rafael (advogado e assistente da Universidade Católica), Jacinto (escritor e cineasta), Maninho e Simão, estes dois últimos estudantes.
Lucas Pires licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1966, concluindo também o Curso Complementar de Ciências Político-Económicas. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, em Tubingen, Alemanha. Doutorou-se em Direito pela Faculdade de Coimbra com a classificação máxima. Foi Professor de Direito Constitucional e Direito Europeu na Universidade de Coimbra, lecionando também na Universidade Católica e na Universidade Autónoma de Lisboa.
Foi autor de vários livros sobre direito e política, entre eles: “Problema da Constituição”, “Soberania e Autonomia”, “Uma Constituição para Portugal”, “Na Hora Europeia”, “Teoria da Constituição de 1976 – A Transição Dualista”, “Os Novos Direitos dos Portugueses”, “Portugal e o Futuro da União Europeia”, “Sebengen e a Comunidade de Países Lusófonos” e, a título póstumo, “Introdução à Ciência Política” e “Amesterdão: Do Mercado à Sociedade Europeia”. Colaborou em diversas revistas, jornais e rádios, nacionais e estrangeiros, sobre temas de direito e política.
Destacou-se ainda no campo desportivo como campeão de iniciados de basquetebol pela Associação Académica de Coimbra e mais tarde como dirigente, além de ter sido membro da Federação Portuguesa de Futebol, representando-a na UEFA para as questões com a União Europeia (1995). Foi Coordenador Geral da Aliança Democrática (1979), deputado à Assembleia da República durante dez anos, presidindo a várias Comissões Parlamentares. Conhecido pelo seu discurso fácil, recheado de fina ironia e por uma inteligência e intuição raras.
Entre 1983 e 1985, foi Presidente do CDS – Partido Social Democrático e membro do Conselho de Estado. Foi Ministro da Cultura entre 1982 e 1983. Entre 1984 e 1986, foi Vice-Presidente da União Europeia das Democracias Cristãs e também da União Democrática Internacional. No Conselho da Europa, desempenhou as funções de Vice-Presidente do Grupo Parlamentar Democrata Cristão e foi o primeiro Vice-Presidente português do Parlamento Europeu (1986-1987). Foi ainda o primeiro membro, a título individual, do Partido Popular Europeu e porta-voz do seu Grupo Parlamentar.
Demitiu-se do CDS em 1991 e em 1997 aderiu ao PSD (Partido Social Democrata). Foi um brilhante e respeitado deputado do Parlamento Europeu durante cerca de dez anos. Foi agraciado com a “Medalha Pro-Mérito” do Conselho da Europa, com a Ordem do Mérito da República Federal da Alemanha, com a Grande Insígnia de Honra em Ouro da República da Áustria, e com a Grão-Cruz da Ordem de Isabel a Católica pelo Governo de Espanha e, a título póstumo, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo da República Portuguesa e com a Medalha Robert Schuman.
Faleceu de ataque cardíaco, a caminho de Lisboa para Coimbra, em 22 de maio de 1998, quando ainda tinha muito a contribuir para a causa da União Europeia e para Portugal. Mas, como diz o seu filho Jacinto num poema que lhe dedica: ‘Morremos e há um cheiro que fica’. Para que fique algo mais palpável, o seu grande amigo, José Gama, promoveu-lhe uma grande homenagem na Vila da Torre Dona Chama, em 17 de abril de 1999, a que se associaram amigos e familiares nacionais e estrangeiros, e que a Presidente da Junta de Freguesia, Paula Lopes Garcia, soube acolher com grande hospitalidade. José Gama apelidou Francisco Lucas Pires de ‘brilhante e laborioso tribuno, de discurso elevado, subtil e perspicaz’.”