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PORTUGAL, Euclides

Chamava-se Euclides Machado Peixoto, mas ficou conhecido como Euclides Portugal, possivelmente por parte de sua mãe, mas também por razões de patriotismo e nacionalismo, características sempre associadas aos mais empenhados defensores de seus ideais, monárquicos ou republicanos. Nasceu no final do século XIX e faleceu na década de 1970. Sua carreira profissional foi centrada em uma secretária da agência local do Banco de Portugal. No entanto, a sua verdadeira vida, aquela que o imortalizou, foi a sua luta política e a sua escrita.
Elísio Amaral Neves apresentou, em 15 de setembro de 1998, na Tertúlia História ao Café, uma comunicação sobre o espólio de Euclides Portugal, cuja transcrição segue a seguir: “Deixou um espólio significativo, composto por álbuns com referências aos seus ideais monárquicos (cartões, postais), jornais em que colaborou (sobretudo A Realeza, do qual foi fundador), brochuras com seus escritos, objetos de viagem e exílio, correspondência abundante, muitos manuscritos, pintura, entre outros. Era um homem valente, frontal e desassombrado, insatisfeito com o regime republicano. Com menos de 20 anos, lutou pela restauração da monarquia no movimento conhecido como ‘Monarquia do Norte’, e, aos 19 anos, foi nomeado administrador do concelho de Espinho. Com o fracasso do movimento monárquico, fugiu para Vigo e depois para o Brasil, onde possuía propriedades de família, permanecendo lá até por volta de 28 de Maio de 1926, quando retornou a Portugal. Mesmo no Brasil, manteve fortes laços com Vila Real. Juntamente com Daniel Salgueiro, que tinha uma relojoaria na Rua Central — ponto de encontro dos monárquicos — fundou o jornal A Realeza. Daniel Salgueiro foi o administrador e os diretores foram José Luís Alves Rodrigues e, mais tarde, o advogado Antas Botelho. Talvez Euclides Portugal também tenha exercido funções diretas na publicação.
Vale ressaltar que a década de 1920 foi uma época de grande dinamismo jornalístico em Vila Real. Além dos jornais já existentes, como O Vilarealense (fundado em 1880), O Povo do Norte (republicano, 1891), A Evolução (evolucionista, 1913), O Corgo (republicano independente, 1919), A Ripada (jornal literário, satírico e crítico, 1919), novos jornais surgiram, como A Realeza (monárquico, 1922), a segunda edição de A Democracia (republicano, 1923), O Marão (nacionalista, 1923), O Anjo da Diocese (religioso, 1923), Boletim do Académico Foot Ball Club (desportivo, 1923), e muitos outros.
Euclides Portugal colaborou ao menos em O Povo do Norte, O Vilarealense, A Realeza e, a partir dos anos 30, no mais importante jornal político e literário da época, A Ordem Nova, fundado em 1931, como órgão da União Nacional, dirigido pelo Dr. Júlio Teixeira. Quando, após o 28 de Maio, sentiu que estava em condições de retornar a Vila Real, candidatou-se ao Banco de Portugal, conquistando o primeiro lugar e assumindo a função de escriturário, cargo que ocupou durante décadas. Acumulou essas funções com sua atividade política e literária. Apoiou o movimento nacional-sindicalista liderado por Rolão Preto, chegando a ser membro do seu Conselho Geral.
Manteve-se fiel aos ideais restauracionistas, acompanhando o pensamento irreverente das vanguardas monárquicas, o que lhe conferiu uma certa aura de esquerdismo. Com o tempo, e pela estabilidade e tolerância do Estado Novo em relação à ideia monárquica, encontrou um ambiente propício para desenvolver sua vocação literária. Escreveu abundantemente para jornais, brochuras de divulgação de diversos concelhos, de bombeiros, do Grupo Excursionista ‘Águias do Marão’, das corridas, das exposições artísticas e outros. A sua propensão para a arte e sua preferência pelo modernismo também são notáveis.
Euclides Portugal foi gradualmente reconhecido como um escritor oficial da cidade, ao lado de figuras como o Dr. Manuel Cardona e Afonso de Castro, e, em menor grau, o Dr. Otílio de Figueiredo, Dr. Correia de Barros e Dr. Sebastião Ribeiro, ou ainda, muito mais tarde, Alberto Miranda. Uma das imagens mais lembradas de Euclides Portugal era vê-lo a escrever incessantemente à noite, sentado à mesa da Brasileira.”

Elísio Amaral Neves

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