RÊGO, Raúl da Assunção Pimenta
(n. 1913)
Jornalista e escritor, político republicano e democrata, fundador do Partido Socialista em 1973. Nasceu em Macedo de Cavaleiros. Entrou no Seminário das Missões do Espírito Santo, em Viana do Castelo, em 1924 e concluiu o curso de Teologia em 1936, tendo ainda frequentado a Escola Superior Colonial de Lisboa. Abandonou a carreira eclesiástica em 1937 e passou a ensinar no Colégio Moderno de João Lopes Soares.
Em 1937 inicia a sua carreira jornalística, na Seara Nova, tendo depois colaborado no Jornal do Comércio e na agência Reuter, até 1961. No pós Segunda Guerra Mundial participa, com António Sérgio e outros, na tentativa de criação do Partido Trabalhista. Em 1945 intervém em todas as acções do MUD, sendo por esse motivo preso. Na campanha do general Norton de Matos à Presidência da República, Raúl Rêgo dirige os serviços de imprensa, o mesmo acontecendo em 1958, na candidatura do general Humberto Delgado.
Em 1961 é coautor do Programa para a Democratização da República, em resultado do qual será de novo preso. Transita para o Diário de Lisboa e, em 1971, ascende à direção do jornal República, que se assume como órgão de clara oposição democrática ao marcelismo. Foi membro do Conselho Nacional do PS desde 1974 e deputado à Assembleia Constituinte e em todas as legislaturas até 1991. No 1º Governo Provisório, depois do 25 de Abril, sobreassumiu a pasta da Comunicação Social.
Na sequência do processo de encerramento do jornal República, funda o jornal Luta, tendo sido galardoado em 1976, com a Pena de Ouro da Liberdade, atribuída pela Federação Internacional dos Diretores de Jornais. Entre 1988 e 1990 desempenhou o cargo de grão-mestre da Maçonaria portuguesa, a que tinha aderido em 1971.
É autor de uma vasta bibliografia nos domínios da história e da política, onde avultam:
– História da República, 5 vols., 1986;
– O Processo de Dantião de Góis na Inquisição, 1971;
– O Último Regimento da Inquisição Portuguesa, 1971;
– Continuidade, 1973;
– Diário Político, 1969;
– Depoimento ou Libelo, 1975.
– Assinatura: Luís Manuel Farinha
Fonte: In Dicionário de História do Estado Novo