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ROSEIRA, António Joaquim Lopes

Nasceu em Covas do Douro (Sabrosa), a 31 de Dezembro de 1818, filho de António Rodrigues e Umbelina Lopes, caseiros. Frequentou as aulas do Seminário de Braga onde se ordenou. Foi, na sua aldeia, pároco encomendado e professor, tendo como discípulo António de Azevedo Castelo Branco e José de Azevedo Castelo Branco, os primeiros alunos do Colégio de Lamego, por ele fundado. Tendo paroquiado em Borbela (Vila Real), demandou a Capital onde lecionou particularmente.
Foi por esta altura que no meio familiar nasceu a ideia de fundar em Lamego um Colégio para rapazes, ideia que se concretizou em 1859, sendo o P. Roseira a “alma mater” da nomeada instituição. Inicialmente, teve como colaborador o seu irmão, P. Dr. Manuel António Roseira, até à nomeação deste para professor de português nas Aulas Secundárias de Lamego, futuro Liceu. Depois de ter instalado os seus alunos em instalações provisórias na parte baixa da cidade, ousou levantar na Ortigosa o atual edifício do Colégio, com preciosa colaboração de D. Emília de Oliveira Valmonte que lhe ofereceu um recanto, na sua Quinta da Ortigosa. E a partir de 1882, aí começa a funcionar.
Assegurada a continuidade da menina dos seus olhos – o Colégio – pela nomeação do P.e Alfredo Pinto Teixeira para a Direção em 1884, e a compra pelos Beneditinos do alvará em 1994, o P.e Roseira tinha realizado o seu sonho: assegurar às populações de Trás-os-Montes e Alto Douro um espaço cultural para as suas populações. Ríspido de disciplina, mas sabedor como poucos da língua de Virgílio, escondia no seu temperamento primário o mais alto espírito religioso. Naquele engodo estranho pelos latinos nunca se traduzia um verso do autor da Eneida ou de Homero, que o não comentasse com a melhor filosofia cristã.
O seu coração avesso a exteriorizações nunca se fechava às necessidades dos mais carecidos. Ninguém que ele acorresse deixava de sentir o calor da sua mão caridosa. A cada passo esvaziava a algibeira no socorro dos infortunados. Muitos dos seus alunos o testemunham em depoimentos escritos. Como sacerdote detestava a política, por isso vivia muito com o irmão Dr. Roseira, Arcipreste e, depois, Deão da Sé de Lamego. O seu sacerdócio foi dado todo devotado à causa do ensino. A ele se deve como a nenhum outro o prestígio da família, cujas raízes ajudou a lançar, aureolada com o odor da roseira de que se orgulham as gerações vindouras.
Sem nunca deixar de acompanhar os seus meninos, o P.e António Roseira entregou a sua alma a Deus a 8 de Fevereiro de 1898. Os seus restos mortais repousam em grande mausoléu de granito maravilhosamente polido, coberto de tampão abaulado, no Cemitério de Santa Cruz, à direita da porta da entrada.”

Jorge Ferreira

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