SARMENTO, João Ferreira
Nasceu no dia 20 de Julho de 1792. Havia-se decidido que estudaria Letras em Coimbra, quando adveio a Invasão Francesa, facto que mudou completamente o seu destino, assentando praça em Cavalaria 12, a 7 de Janeiro de 1810. A 23 de Janeiro de 1811 era promovido a alferes, e a tenente a 25 de Maio de 1813, postos em que serviu durante toda a Guerra Peninsular. Eis porque possuía a medalha de duas campanhas da Guerra Peninsular. Promovido a capitão a 18 de Dezembro de 1820, adere publicamente ao Liberalismo, facto que provocou o seu afastamento após a “Abrilada”. Em 1824 foi reintegrado no Exército e nomeado ajudante do governador das Armas da Corte e Estremadura, para ser novamente expulso do Exército a 6 de Junho de 1828. Refugiou-se então no Hospital inglês de Lisboa, por então sofrer uma febre biliosa, mas logo que sai, a 8 de Julho, é preso em Sesimbra. Em Novembro seguinte conseguiu evadir-se, refugiando-se no mesmo hospital, de onde consegue sair de Portugal num paquete inglês que arribara em Lisboa. Toma parte na malograda expedição comandada pelo Marechal Duque de Saldanha à Ilha Terceira, bem como consegue para lá ir na expedição comandada pelo Conde de Vila Flor. Quando o ministro Mouzinho de Albuquerque se ausenta do ministério, João Sarmento consegue ficar com a pasta da Guerra, como secretário da Regência. Ocupou esta situação de 14 de Janeiro a 2 de Julho de 1831, continuando depois como chefe da Direção da Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra e Marinha. Tomou parte muito ativa nas Campanhas da Liberdade e sucessivamente foi promovido a major, em 6 de Agosto de 1832, a tenente-coronel em 25 de Julho de 1834, ficando como ajudante general do Exército em 21 de Março de 1835. Neste ano de 1835, a 1 de Janeiro, casa com D. Carlota Maria Nogueira, que morreu a 6 de Janeiro de 1836, filha de João Raimundo Nogueira e de sua mulher, D. Maria Inocência Garcia, de quem não teve filhos. No ano da sua viuvez passou a ajudante de campo de D. Fernando II, marido de D. Maria II, que lhe abriu definitivamente as portas na Corte, ascendendo a brigadeiro em 17 de Outubro de 1845 e a marechal-de-campo a 29 de Abril de 1851. Nesta época da sua vida, João Sarmento cumulou-se de mercês, cuja descrição é longa: Gentil homem da Câmara de D. Fernando II e do Conselho de Sua Majestade Fidelíssima, grã cruz das Ordens de Avis, de Ernesto Pio, de Saxe Cobourgh Gotha, de Constantino, de Duas Sicílias, de S. Maurício e de S. Lázaro, na Sardenha, de Isabel a Católica, em Leopoldo, da Bélgica, grande oficial da Legião de Honra, comendador das de Cristo, Torre e Espada e Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, da Coroa de Carvalho, dos Países Baixos, de Carlos III, de Espanha, e da Águia Vermelha, da Prússia. O título de Barão de Sarmento foi-lhe concedido por D. Maria II, por Decreto assinado a 29 de Outubro de 1835, sendo elevado a Visconde de Sarmento por Decreto de 15 de Setembro de 1855, por D. Pedro V. A 7 de Março de 1859 volta a casar com D. Maria da Conceição do Valle de Sousa e Menezes Botelho Mexia, filha do bacharel em Matemática, por Coimbra, José do Valle de Souza Menezes Mexia, fidalgo da Casa Real, e de sua mulher, D. Maria Antónia Constança de Lima Feio, senhora que nasceu em 10 de Dezembro de 1826 e morreu a 28 de Julho de 1907, dama da Rainha D. Maria II, que também não deu geração ao titular. O Rei D. Luís I elevou-a à grandeza de Conde por Decreto de 30 de Setembro de 1862, e João Sarmento morreu a 10 de Junho de 1865. À Condessa de Sarmento estava reservada ainda uma surpresa no ano da sua morte, no caso Sara de Matos, menina que morre num hospício e do qual é acusada a Irmã Coleta. Um grupo de senhoras do Paço mostrou interesse pela religiosa, que posteriormente veio a ser ilibada, e foram na visitá-la, facto que a imprensa republicana aproveitou para levantar uma onda de protestos e calúnias sobre a proteção que a Corte dava à acusada. D. Maria da Conceição respondeu à letra às acusações, mas as emoções devem ter sido fatais na sua idade. Aqui fica a memória de mais um titular transmontano.
Eduardo Proença Mamede