Opinião🖋️ Engº Francisco Gouveia

SERÁ QUE AINDA VAMOS A TEMPO DE SALVAR A AGRICULTURA EUROPEIA?

(O Douro cometeu muitos erros, é um facto, e o principal foi ter-se deixado envolver na maquiavélica máquina de destruição da Europa que se chama União Europeia)

A história da agricultura europeia nas mãos da União Europeia é viciada desde o seu início. Nunca Bruxelas teve um plano global para o desenvolvimento agrícola e florestal. Resolveu trocar o trabalho complexo da elaboração de um programa, pelo facilitismo elaboração periódica de umas tais PAC (Política Agrícola Comum) que mais não foram senão devaneios tecnocráticos de quem pouco sabia do assunto e se baseava em estudos ao qual faltava consistência e sentido de futuro. Isso mesmo: sentido de futuro.
E os desastres das PACs foram de tal ordem que levaram à falência os pequenos e médios agricultores, destruíram áreas rurais com abjectos subsídios para abandono da actividade agrícola, para o abate de barcos de pesca, e o mais que se sabe. A consequência mais grave desta política foi a  falta de atracção de jovens agricultores. Meteram a agricultura europeia numa bola ensarilhada que ninguém entendia.

Aos poucos, a agricultura europeia foi-se deteriorando, cada vez com menos agricultores, cada vez com menos área agrícola, cada vez com menos floresta, cada vez com menos sustento para quem ainda resistia e persistia na vida rural.
A bem dizer, a UE nunca foi capaz de unificar por princípios e valores, os países da Europa que a ela aderiram.
Ficou-se por uma insípida Constituição que, por falta desses mesmos valores e princípios, ninguém respeita, pela criação de uma moeda única que muito brevemente estará a acabar, foi incapaz de criar uma força militar que lhe garantisse a manutenção da democracia e a defendesse dos ataques dos seus inimigos, e foi vergonhosa como deixou que a guerra lhe ameaçasse as fronteiras.
Fiados numa NATO sustentada pelos EUA e à qual não ligou pevide, a UE vê-se agora aflita porque o senhorio da NATO fez um manguito e quer cobrar as rendas em atraso.
A UE, a esperança de uma unificação europeia que lhe garantisse a sobrevivência e manutenção do legado democrático e da liberdade, tem sido um flop.
Depois de destruir a indústria europeia com maniqueísmos sabe-se lá orientados por quem (vejam o que se passa com a indústria automóvel europeia), depois de se tornar permissiva à invasão, a UE está como o tolo no meio da ponte.
Portanto, se a UE não conseguiu segurar os elos principais da sua hegemonia civilizacional, acham que conseguiria lançar a sua milenar agricultura na senda do futuro?

Nunca, como hoje, e talvez na última década, a União Europeia teve dirigentes tão fracos. Estes que lá estão agora, são a lástima que restou de uma prole de políticos a quem interessava um lugar em Bruxelas pelas mordomias que dava.
Nunca a mediocridade política teve tanta expressão como a de quem actualmente a dirige.
No que se refere à agricultura portuguesa, está como está grande parte por sua culpa, mas também porque o colete de forças imposto por Bruxelas esteve sempre apertado e apoiado por sucessivos Governos nacionais que lhe prestaram vassalagem para além do razoável.
O Douro que o diga. Um Douro que cometeu muitos erros, é um facto, mas deixou-se envolver na máquina de destruição da Europa que se chama União Europeia.
E afinal, tantas esperanças depositávamos nesta União.
Porque a União faz a força, algo que a elite de Bruxelas nunca aprendeu.

Francisco Gouveia, Engº

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