TREMELIQUES
Cada vez mais sentimos que este tempo que vivemos, cheios de contradições e incertezas, nem sempre nos deixa raciocinar devidamente e são muitas as dúvidas que nos enredam.
A propósito, ocorre-me propor uma reflexão aos leitores do nosso Notícias do Douro, sobre o Serviço Nacional de Saúde que temos.
Foi uma das maiores e melhores conquistas que o regime gerado pelo 25 de Abril nos trouce. Honra seja feita a António Arnaut, que tive o privilégio de conhecer pessoalmente.
Pelo que que me parece, nesta data, o nosso SNS não está nada bem e só se vai aguentado graças à colaboração de médicos Velhos. Não me esqueço de ter visto num Centro de Saúde da Maia, um cavalheiro à volta dos 70 anos, de bengala, passar à frente da fila de entrada para o estabelecimento. Perante um ar de interrogação que alguns puseram, uma voz diz, “é um médico reformado, carregado de reumático que vem cá dar uma mão”. Mas comentando um pouco o que por aí se diz, os médicos nunca estão satisfeitos e são os desacordos sindicais que paralisam o sistema, vem ao de cima o tema deste comentário: «vivemos cheios de contradições e incertezas».
É uma verdade insofismável que todos procuramos sempre, dar o melhor aos nossos e a nós mesmos. E quando as oportunidades para se melhorar o nosso padrão de vida aparecem, por exemplo; triplicar um ordenado: será que alguém no seu juízo perfeito vai recusar?
Certamente que não e quando esta situação está ao alcance do simples atravessamento de uma rua, passando de um Centro de Saúde qualquer, para a urgência de uma clínica privada, quem recusar é burro ou não sabe da arte.
E mais ainda, se a opção for de dar corda ao automóvel, isto é, atestar de combustível e ver a pressão dos pneus para uma travessia de fronteira, que vai proporcionar a multiplicação por dez do nosso ordenado, não me parece que quem aceita esteja a boicotar o sistema, até por que faz entrar capitas no País.
Falando a sério, quando todos nós, sem exceção, passamos a vida a procurar dar o melhor que pudemos às nossas famílias, não podemos julgar levianamente outros que o façam.
Miguel Macedo



