Opinião

Um copinho de tinto !

Ator principal de inúmeras aventuras e reguense dos sete costados sentiu-se, um dia, desiludido com a família e com os amigos.
Com uma personalidade extravagante, deciciu recuperar de tamanha azia na solidão do Marão.
Uma semana na tranquilidade da Serra, pensou, seria o suficiente para aturada reflexão e recuperação do espiríto. Encheu o carro de alimentos e bebidas, um jornal desportivo, roupa quente e o indispensável telemóvel.
Avisou, apressadamente a esposa da sua intenção e abalou antes de ouvir um sermão.
… Quando chegou à Capelinha sentiu-se confiante e, à sua maneira, um vencedor. Passou a tarde a admirar a natureza e a perscrutar os horizontes mas, à noite, após a bucha, sentiu-se melancólico e abandonado, apesar do céu estrelado.
Acendeu uma fogueira,enrolou-se numas mantas mas aqueles pios estranhos metiam-lhe medo.
O sol raiou, belo amanhecer, petiscou qualquer coisinha e decidiu, repentinamente, que estava na hora de regressar. Aquela vida de ermita estava acima, muito acima, das suas possibilidades!
Partiu sem olhar para trás e quando entrou em casa, a mulher fartou-se de ralhar e sorrir às escondidas. Ele, entre reconfortado e cabisbaixo, dirigiu-se à primeira taberna e saboreou, lentamente, um copinho de tinto.

Antrónio Manuel Silva Alves

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