Num tempo em que os desafios ambientais deixaram de ser uma previsão distante para se tornarem uma urgência diária, é reconfortante ver instituições culturais como a Fundação de Serralves a abraçarem a missão de sensibilizar desde cedo os cidadãos do futuro. No dia 27 de setembro, no coração da Festa de Outono 2025, decorreu uma “Hora do Conto” que foi muito mais do que uma simples leitura infantil: foi um momento de reflexão coletiva, criatividade e compromisso com o planeta.

A atualidade das temáticas abordadas — sustentabilidade, ambiente e natureza — não é apenas pertinente, é vital. Num mundo onde os efeitos das alterações climáticas se fazem sentir com cada estação que passa, onde a biodiversidade se perde a um ritmo alarmante e onde o consumo desenfreado ameaça os recursos naturais, educar para a consciência ecológica deixou de ser uma opção. É uma responsabilidade. E fazê-lo através da literatura infantil é uma das formas mais eficazes de semear valores duradouros.
O livro escolhido para esta sessão, A Cotovia Via … Via… – Numa Missão de Alerta, editado pela Câmara Municipal de Lamego e da autoria de Ana Damião, Graciema Gonçalves e Isilda Afonso, é uma narrativa poética e envolvente que acompanha uma pequena ave determinada a alertar os habitantes da floresta para os perigos da poluição e da destruição dos ecossistemas. A história, contada com entusiasmo e sensibilidade, captou a atenção de crianças e famílias, criando um espaço onde a imaginação se cruzou com a consciência ambiental.
A cotovia, símbolo de liberdade e mensageira da natureza, tornou-se porta-voz de uma causa urgente. A sua missão ecoou nas palavras dos contadores de histórias e nos olhares atentos dos mais pequenos, que se deixaram levar pela aventura com genuína curiosidade e empatia.
Pais e filhos encheram o espaço com entusiasmo, mostrando que há uma sede coletiva de reencontro com a natureza e de participação ativa em iniciativas que promovem valores sustentáveis. A leitura não foi apenas escutada — foi vivida.

As crianças interagiram, fizeram perguntas, partilharam ideias. E os adultos, muitas vezes espectadores silenciosos, deixaram-se tocar pela simplicidade e profundidade da mensagem.
No final da sessão, a atividade de desenho permitiu que cada criança expressasse, com cor e criatividade, a sua visão de um mundo melhor. As ilustrações que surgiram destas crianças foram mais do que representações gráficas: foram manifestações de esperança. Um mural coletivo foi criado, transformando-se num testemunho visual do que pode nascer quando se junta arte, educação e consciência.
A Festa de Outono 2025, na Fundação de Serralves, foi, mais uma vez, um exemplo de como a cultura pode ser agente de mudança. A “Hora do Conto” com “A Cotovia Via … Via …” mostrou que é possível educar com beleza, inspirar com simplicidade e transformar com palavras. Num tempo em que o futuro parece incerto, são estas pequenas grandes iniciativas que nos lembram que ainda há muito por fazer — e que nunca é cedo demais para começar.

Este momento especial não teria sido possível sem o apoio da Câmara Municipal de Lamego, cujo compromisso com a educação ambiental e a promoção da cultura merece destaque. Um agradecimento igualmente sentido aos responsáveis da Fundação de Serralves, pela abertura, dedicação e visão que tornam possível a realização de atividades que tocam gerações e semeiam consciência.
Porque, afinal, como nos ensinou a cotovia, há mensagens que não podem esperar. E há histórias que, quando bem contadas, podem mudar o rumo de muitas outras.
Isilda Lourenço Afonso



