
Foi nos finais dos anos 50 do passado século que arrancaram as primeiras Adegas Cooperativas na região duriense. Com o fundamental apoio duma Casa do Douro dirigida nessa época pelo Eng. Agrónomo Orlando Gonçalves, grande paladino do cooperativismo. Como eu já era adolescente, lembro-me bem desse senhor e da ida a França de uma delegação de viticultores durienses, liderada pelo Eng. Gonçalves, a visitar adegas cooperativas francesas afim de trazerem ideias para o seu arranque na região. O meu pai, como membro do Conselho Agrário da Instituição, também foi nessa expedição. E também se entusiasmou com o cooperativismo, chegando a pugnar por uma adega cooperativa em Vilar de Maçada, projecto que nunca teve pernas para andar. Mas só no concelho de Alijó arrancaram quatro, sendo a de Favaios uma das primeiras e, curiosamente, vem sendo uma das poucas que se conservam activas e de boa saúde financeira. Chegaram a ser cerca de duas dúzias no conjunto da região demarcada mas com tempo foram falindo, algumas entretanto compradas por empresas, restando cerca de metade, tendo algumas em paralelo adquirido o estatuto de Caves afim de ficarem mais livres na aquisição de matéria prima para irem sobrevivendo. Muitas delas foram colapsando porque em simultâneo houve uma gestão deficiente e alguma irregularidade dos associados, ora entregando as uvas nas cooperativas ora nas empresas quando esta acenavam com melhores preços. Os tempos são outros e será preferível que surjam mais produtores engarrafadores de sucesso e ou associações de produtores engarrafadores e há bons exemplos, os «Lavradores e Feitoria», os «Douro Boys», os «Douro Four You» e outras. O espírito empreendedor e a coesão interna estão mais presentes e funcionam bem. Mas com boa gestão, e há exemplos, como a de Vila Real, as cooperativas ainda representam o apoio para muitos milhares de pequenos e médios viticultores. E infelizmente não têm tido apoio suficiente na concessão de crédito pela banca, como ainda recentemente foi chamada a atenção publicamente pelo nosso deputado Eng. Rui Santos. Voltando ao sector dos produtores engarrafadores, que já são algumas centenas, este caminho também não é fácil, é preciso bastante capital à partida, muito trabalho e bom apoio técnico, quer na produção, quer na promoção e venda. E alcançar o mínimo de escala. Daí arrancar para uma associação de produtores engarrafadores ser uma boa estratégia. Ainda é a melhor maneira de escapar à miséria de preços aos vinhos de mesa em geral. Só é pena que seja uma escassa minoria no seio dos vinte e cinco mil viticultores que temos. O empreendedorismo pessoal ou de grupo, quando de sucesso, projecta uma imagem positiva da pessoa ou do grupo de pessoas e é estimulante para todos, mas uma Cooperativa é um empreendedorismo de uma comunidade ligada a uma vila, aldeia ou cidade, e projecta uma imagem dos seus bons produtos, património e tradições. Como a de Favaios projecta os seus excelentes moscatéis e a de Vila Real, a par do bom vinho de mesa, a tradição automobilística da cidade e do seu circuito quase centenário bem visível no rótulo de alguns dos seus excelentes vinhos. E de modo geral todas procuram nas sua promoções e até nos seus rótulos, imagens do seu património regional. E lá diz o ditado, a união faz a força. Porque não voltar a apostar no cooperativismo, desde que se garanta boa gestão, apoio técnico e boa acção de promoção e «marketing».
Que será mais possível num futuro mais promissor para a vitivinicultura duriense a atravessar uma crise que não tem sido nada bem enfrentada. Que as medidas avulsas e contra procedentes que chegaram nada resolvem. Em breve iremos propor medidas de fundo com bastante mais racionalidade. E como duriense que sou, deixo aqui uma palavra de ânimo a todos os durienses e um até breve num próximo artigo sobre a nossa querida região.
José Alves Ribeiro



