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«As Visitações de Alijó e alguns documentos para o seu estudo»

É o volume III, último desta série documental e, como se informa em Nota Prévia, este terceiro volume reúne «as visitações (Séc. XVII e XVIII) às igrejas de Alijó (onde se inclui a visitação à igreja de Goães – Vila Verde – Braga. E à capela de Nossa Senhora da Conceição – Santo Tirso – Porto) juntamente com vários documentos dispersos que se referem a diferentes concelhos da região: Santa Marta de Penaguião, Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Macedo de Cavaleiros e Freixo de Espada à Cinta. Neles se assinala o Alvará de Vila do lugar de Santa Marta de Penaguião, como o itinerário de Dom José de Bragança por terras transmontanas: Braga, Guimarães, Amarante, Vila Real, Murça e Chaves; a Súplica (e incongruências) para a formação da Diocese de Vila e a visitação da Comarca de Sobre Tâmega».

Lê-se na mesma fonte e no mesmo contexto que os documentos deste volume foram investigados em vários Arquivos Nacionais. E na sua transcrição houve a colaboração da investigadora Lina Oliveira. Armando Manuel Gomes Palavras, doutorado em História, na área específica da História da Arte, e desde 2010 investigador integrado do CITAD, Centro de Investigação, em Território, Arquitectura e Design, do ILID (Agrupamento de Centros de Investigação) financiado pela FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia), nos últimos seis anos tem colaboração privilegiada em revistas de referência, como: Brigantia, Tellus, Beira Alta e nas duas primeiras edições da 9 Séculos – Revista da Lusofonia. Nesta última, Armando Palavras aprofundou o tema «A arte condal espelhada no românico rural», recuando ao período suevo e visigodo, exemplificando com a arquitetura religiosa na basílica de templos, como: S. Martinho de Tours, em Dume (séc. VI), e S. Frutuoso (do séc. VII). Dois catedráticos em História Medieval, igualmente colaboradores da mesma Revista, abonam o tema das visitações que este terceiro volume aprofunda: José Marques e Maria da Conceição Falcão Ferreira.
Na contracapa deste volume de 200 páginas, Armando Palavras faz uma explanação histórica do papel das vigilâncias ou visitações na diocese de Braga que, ao tempo, eram complicadas por dois fatores: pela dimensão territorial e pelas fracas vias de comunicação. E aponta, como exemplo, os impedimentos que o arcebispo de Braga, Dom José, se lamentava perante o Rei D. João V (1706-1750). Recorde-se que nessa altura a Diocese de Braga abrangia a maior parte da Província de Trás-os-Montes. Tão longo espaço para tão poucos visitadores, implicava que o próprio arcebispo tivesse de desempenhar as funções do visitador.
Lê-se nesta sinopse da contracapa que eram muitas as dificuldades para manter a regularidade das visitações com a eficácia que essas práticas exigiam. «Eram escolhidos dez eclesiásticos e seis Vigários Gerais para diretamente inspecionarem as atividades dos párocos. Noutras situações o visitador era acompanhado pelo pároco confirmado, pelo rendeiro ou por outras pessoas da freguesia, normalmente os eleitos da irmandade ou confraria que assinavam como testemunhas os capítulos da visitação. À falta de testemunhas locais, assinavam os criados».

O primeiro livro dos três que já se conhecem versa«A actividade construtora setecentista em Penaguião».Nesse volume são transcritos os contratos realizados entre os mais diversos artífices setecentistas e os juízes das igrejas, incluindo os fregueses, para as obras realizadas em igrejas, capelas, e obras particulares e públicas em Penaguião, encontrados no Arquivo Distrital de Vila Real (ADVR) entre os anos de 1999 e 2000. Destes contratos retira-se que a complexidade processual que envolvia a realização destas obras setecentistas é inequívoca.

O segundo volume aborda «As Igrejas setecentistas do padroado da Universidade de Coimbra».O património da Universidade era em grande parte constituído pelo seu Padroado, ou seja, o conjunto das igrejas sobre as quais tinha o direito de apresentar os párocos, recebendo rendimentos compostos, sobretudo, pelos dízimos dessas mesmas igrejas, bem como de outros bens a elas anexos. A responsabilidade da Universidade distribuía-se pela manutenção das condições necessárias para o desempenho das funções litúrgicas, pelo apoio espiritual às populações e pela conservação dos edifícios sagrados com algum valor arquitectónico. O estudo incide sobre as igrejas: Cumieira (Sta Marta de Penaguião), S. Félix de Lafões (S. Pedro do Sul), Santa Cruz de Lumiares (Armamar), S. Pedro de Paus (Resende), Sta M.ª de Cárqueres (Resende), Gosende (Castro Daire), Feirão (Resende) Lamosa (Sernancelhe), Matriz (Moimenta da Beira), Baldos (Moimenta da Beira), Carregal (Sernancelhe), Caria ( Moimenta da Beira), Nacomba (Moimenta da Beira) Vila de Rua (Moimenta da Beira), Penso (Sernancelhe), Faia (Sernancelhe), Quintela da Lapa (Sernancelhe), Fonte Arcada (Sernancelhe) Ferreirim (Sernancelhe), Escurquela (Sernancelhe), Alvarenga (Arouca), Penela da Beira (Penedono), Póvoa de Penela (Penedono), Sebadelhe (Foz Côa), Segões (Moimenta da Beira), Mós (Foz Côa),Valongo (S. João da Pesqueira)S. João de Fontoura (Resende). Os registos dos contratos de adjudicação são tão pormenorizados que se revestem de grande interesse monográfico local.

Este terceiro livro, reporta-se às visitações dos séculos XVII e XVIII. E chega ao mercado em data coincidente com alterações nas Dioceses de Braga e de Vila Real. Esta última foi criada há um século (1922), subtraindo-a ao território da Arquidiocese de Braga, que não dispunha de acessos compatíveis, nem servidores suficientes para cobrir a lonjura e a falta de quadros. Curiosamente foi agora escolhido um arcebispo jovem, esclarecido e ajustado às exigências do tempo e do espaço. Acresce que foi selecionado no território geográfico que este terceiro volume aflora e que Armando Palavras investigou cientificamente, nas suas teses de mestrado (2001) e de doutoramento (2011).

Estes três volumes constituem um todo que se afigura precioso para quem deseja conhecer o chão que pisa, em termos de mundialidade cívica, social, cultural e religiosa.

Barroso da Fonte

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